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Quem vê cara, não vê coração, nem saldo bancário

Eu tinha 16 anos, era meu primeiro emprego. Trabalhava como vendedora em uma loja de moletons, a Byron, anunciante assídua do Shop Tour (alguém lembra?), ficava em Moema, bairro chique de São Paulo.
Era uma linda tarde, em um dia útil, chegou uma moça e foi olhar a vitrine. Uma pessoa simples, dava para notar pelo tipo de roupa e cor da pele (um fato, infelizmente). 
Não estava na minha vez, mas as meninas que estavam na frente não fizeram questão de atendê-la, pois achavam que era um cliente “caroço”, que olha, olha e não compra nada. 
Senti-me incomodada ao vê-la ali, aguardando para ser atendida. Sempre achei que todos merecem respeito igual! 
Cheguei toda sorridente. Ela pediu para ver os moletons, as camisetas, as outras peças e fez o pedido:
– Quero 5 desse, 8 nessa cor, 10 nesse tamanho…”
A gente colhe aquilo que planta, pois eu plantei um caroço e colhi uma proprietária de loja, que comprou atacado e me rendeu uma ótima comissão.
Até hoje lembro o olhar de arrependimento das vendedoras da vez, vendo eu tirar o pedido do caroço. Opa! Da moça simples, preta e dona de loja.

Quando vejo notícias como essa da Zara e de tantas outras lojas e marcas que tem esse preconceito nojento, eu me lembro e tenho orgulho dessa minha história. 

Zara no Ceará: vendedores de outras lojas de varejo confirmam uso de código para ‘clientes suspeitos
“…a identificação de quem é “suspeito”, segundo os relatos, se baseia no comportamento, modo de se vestir e também na cor da pele.”

É mais triste ainda pensar, que essa minha história ocorreu há 30 anos atrás, e lendo a reportagem, concluímos que nada mudou.

Essa ilustração linda é da Imagine e Desenhe
Segue lá, que a Bruna tem mais desenhos inspiradores @imagineedesenhe 

Melissa Pelhon – Empreendedora Social
Empreendedora na Compra do Bem

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